O que é o Mieloma Múltiplo — e como ele é diagnosticado em 2026
- millehematologia
- 20 de ago.
- 3 min de leitura
Entenda de forma simples essa doença do sangue e por que o diagnóstico precoce mudou nos últimos anos

Receber o diagnóstico de mieloma múltiplo costuma vir acompanhado de muitas dúvidas. É câncer? É grave? Tem cura? Neste primeiro artigo da nossa série, vamos explicar, em linguagem simples, o que é essa doença e como os médicos chegam ao diagnóstico hoje em dia.
O que é o mieloma múltiplo
O mieloma múltiplo é um tipo de câncer que se origina nos plasmócitos, células de defesa que normalmente vivem na medula óssea e produzem anticorpos para nos proteger de infecções. No mieloma, um grupo desses plasmócitos passa a se multiplicar de forma descontrolada e produz uma proteína anormal — chamada de proteína M — que não ajuda o organismo e, ao contrário, pode causar problemas.
Essa doença representa cerca de 1% de todos os tipos de câncer e é responsável por aproximadamente 10% das doenças malignas do sangue. Ela costuma aparecer por volta dos 65 anos, é ligeiramente mais comum em homens e, por razões ainda em estudo, é cerca de duas vezes mais frequente em pessoas negras do que em pessoas brancas.
Uma doença que "avisa" antes de aparecer
Um dado importante — e pouco conhecido pelo público — é que quase todos os casos de mieloma se desenvolvem a partir de uma condição prévia, silenciosa e muito mais comum, chamada gamopatia monoclonal de significado indeterminado, ou simplesmente MGUS. Essa condição está presente em cerca de 5% das pessoas acima de 50 anos e, na grande maioria das vezes, nunca evolui para câncer. Ainda assim, ela progride para mieloma ou doenças relacionadas a uma taxa de aproximadamente 1% ao ano.
Em alguns casos, existe uma fase intermediária, chamada mieloma múltiplo indolente (ou smoldering), que também é assintomática, mas com maior chance de evoluir. Vamos falar mais sobre essa fase em um artigo específico da série.
Como o diagnóstico é feito hoje
O diagnóstico de mieloma múltiplo passou por uma mudança importante nos últimos anos. Antigamente, esperava-se que a doença já tivesse causado algum dano ao corpo — como fratura óssea ou insuficiência renal — para se iniciar o tratamento. Hoje, os critérios permitem identificar a doença antes que esse dano aconteça, com base em exames de sangue, urina, imagem e medula óssea.
De forma resumida, o diagnóstico exige dois elementos:
Presença de plasmócitos anormais: 10% ou mais na medula óssea, ou um tumor localizado (plasmocitoma) comprovado por biópsia.
Pelo menos um sinal de que a doença já está causando ou vai causar dano, avaliado por critérios clínicos e laboratoriais bem definidos — incluindo alterações no cálcio do sangue, na função dos rins, na hemoglobina, nos ossos, ou marcadores específicos no exame de cadeias leves livres e na ressonância magnética.
Os exames de sangue mais usados para rastrear a proteína M incluem a eletroforese de proteínas, a imunofixação e o exame de cadeias leves livres. A extensão da doença no esqueleto costuma ser avaliada por tomografia computadorizada de baixa dose ou PET/CT, exames mais sensíveis do que o tradicional raio-X de esqueleto.
Por que isso importa para você
Esse avanço no diagnóstico significa que, hoje, é possível começar o tratamento mais cedo, antes que a doença cause lesões ósseas graves ou comprometa os rins — o que se traduz em melhores resultados a longo prazo. Se você ou um familiar recebeu esse diagnóstico recentemente, o próximo passo é entender bem o seu caso específico: o subtipo do mieloma, o risco genético e o estágio da doença — temas que vamos aprofundar nos próximos artigos desta série.




Comentários